Legislação e Portaria 671

Intervalo intrajornada: o passivo escondido de R$ 1 minuto que vira R$ 100 mil na Justiça

30 jun 2026 8 min de leitura
Relógio antigo com mostrador destacando o intervalo entre 12h e 13h ao lado de calculadora e notas de Real — imagem de capa do artigo sobre passivo de intervalo intrajornada.
Relógio antigo com mostrador destacando o intervalo entre 12h e 13h ao lado de calculadora e notas de Real — imagem de capa do artigo sobre passivo de intervalo intrajornada.

Existe um passivo trabalhista que quase toda PME brasileira carrega sem saber: o intervalo intrajornada não usufruído. É o famoso 'horário de almoço' que aparece cortado no espelho de ponto — 12h às 13h, sempre igual, todo dia — mas que, na prática, o colaborador comeu em 20 minutos, na frente do balcão, atendendo cliente.

Do ponto de vista da CLT, esse minuto suprimido tem preço. E ele acumula por 5 anos.

O que a lei diz (art. 71 §4º da CLT, com a Reforma de 2017)

Para jornadas acima de 6 horas, o intervalo mínimo é de 1 hora (art. 71, caput). Se a empresa suprime, total ou parcialmente, esse intervalo, deve pagar apenas o período suprimido, acrescido de 50%, com natureza indenizatória (§4º, redação dada pela Lei 13.467/2017).

Antes da Reforma, o TST condenava o pagamento da hora integral com natureza salarial (reflexos em DSR, 13º, férias e FGTS). Hoje, virou indenizatório e proporcional ao tempo suprimido — mas continua caindo no bolso do trabalhador, com prescrição quinquenal (art. 7º, XXIX, CF).

Por que virou o passivo mais silencioso da PME

  1. 1O sistema de ponto legado desconta 1 hora fixa de almoço, mesmo quando ninguém saiu do posto.
  2. 2O colaborador não bate saída/retorno de intervalo porque 'sempre foi assim'.
  3. 3O RH fecha o mês sem cruzar câmera, escala de atendimento ou histórico de vendas.
  4. 4Na rescisão, o advogado do reclamante pede peritagem — e o passivo aparece.

A conta que assusta

Colaborador com salário de R$ 2.200, jornada 44h/semana, 4 anos de casa, que perdeu 30 minutos de intervalo em média por dia: 30 min × 22 dias × 48 meses = 528 horas suprimidas. Hora normal ≈ R$ 10; com adicional de 50% = R$ 15. Total: R$ 7.920 por colaborador — sem reflexos, apenas o principal. Multiplique por uma equipe de 20 pessoas em regime parecido e você tem R$ 158 mil de passivo escondido dormindo no seu balancete.

Os 3 erros que multiplicam o problema

1. 'Pré-assinalar' intervalo automaticamente

A Portaria MTE 671/2021 permite pré-assinalação de intervalo (art. 74, §2º, CLT c/c portaria), mas o TST tem entendimento firme: se a defesa do empregado prova que o intervalo real foi menor, prevalece o real. Ou seja, pré-assinalação sem batida efetiva é convite para condenação.

2. Confiar que ninguém vai reclamar

O passivo só aparece na rescisão — e é justamente aí, quando o vínculo termina em atrito, que o ex-colaborador procura advogado. Empresa que aposta em 'ninguém vai processar' está apostando contra a estatística: intervalo é hoje um dos 5 pedidos mais comuns em reclamatórias.

3. Não separar por competência

Sem relatório mês a mês, o RH não consegue defender: 'no mês tal, o intervalo foi de 1h05'. Vira palavra contra palavra, e a Súmula 338 do TST resolve a favor do reclamante.

Como se blindar em 4 passos

  • Exija batida de saída e retorno de intervalo em todo colaborador com jornada acima de 6h.
  • Configure a tolerância legal (5 minutos, art. 58 §1º CLT) — nem mais, nem menos.
  • Emita relatório mensal por colaborador destacando dias com intervalo abaixo do mínimo.
  • Se houve supressão real, pague no próprio holerite com rubrica específica — extingue o passivo daquele mês.

Como o Timefy resolve isso

A Timefy trata o intervalo como marcação obrigatória, com face e geolocalização, para quem tem jornada acima de 6h. O sistema calcula o intervalo efetivo em tempo real e dispara alerta ao gestor quando alguém volta antes da hora — o RH decide se ajusta a escala ou paga o adicional no mês, sem deixar rolar para o próximo ano.

O relatório mensal por competência sai pronto para exportar: dias, minutos suprimidos, valor devido. Assim, se um dia chegar reclamatória, a defesa é o próprio holerite — e o pedido cai antes de virar sentença.

Já entendeu o problema. Agora resolva.

Teste o Timefy grátis por 14 dias, sem cartão de crédito e sem fidelidade. Migração assistida dos seus dados atuais.

WhatsApp